domingo, 18 de outubro de 2015

2 - O Espiritismo de Umbanda

Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade (Sr. Zélio de Moraes juntamente
com médiuns da Tenda)
               Quanto mais se estuda a Linha Branca de Umbanda, mais se alarga os horizontes da espiritualidade e nos simplificamos na mais clara ignorância de que somos portadores. A Umbanda, esta trazida pelo humilde Caboclo das Sete Encruzilhadas, força a humildade nos homens de boa fé e devasta o coração do vaidoso. "Aquele que tem ouvidos para ouvir, que ouça!"
               Segue, nos próximos parágrafos, o texto do Sr. Felipe Deininger, grande colaborar do Espiritismo de Umbanda no Brasil, Presidente da Tenda Espírita Nossa Senhora do Rosário, sobre as bases e objetivos desta genuína Religião brasileira.
               "Sua base moral está no exemplo do Cristo, seguindo os seus ensinamentos, exaltando sempre a Lei, que sintetiza o Evangelho: Amor, Humildade e Caridade. O Espiritismo de Linha, isto é, a Umbanda, proclama Ismael como o Anjo dirigente do Espiritismo no Brasil. 
               Nas Tendas, a simplicidade faz morada assim como a mais sublime exaltação do espírito. Faz uso de um altar, onde se encontram as imagens dos Santos, Santas, Virgens e Mártires da fé cristã, que são os Espíritos Superiores, que chefiam as missões das falanges de cada uma das Sete Linhas Brancas, no espaço, e que os chamamos de Orixás. 
               As manifestações mediúnicas à caridade se dão pelos Pretos e Caboclos. Os serviços de Umbanda compreendem a regra ordinária de atendimento ao público com curas e aconselhamentos. Os serviços de Demanda, compreende o desmanche da Magia Negra.
Sessão na Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade

               É formada no espaço, por numerosas falanges de Pretos do Brasil e da Costa d'África, Caboclos (Índios) de todas as tribos brasileiras, orientais (Hindus, malaios, árabes etc.), que se agrupam em torno dos Padroeiros das Linhas, passando assim, a desempenharem missões que lhes são atribuídas. Não possui sacerdotes, por menos, possui Presidentes de Tendas, que são chamados de "Chefes de Terreiro", ou, "Pais de Terreiro". 
               Sendo estritamente cristã, sua missão é, portanto, espalhar a mensagem do Cristo. 
               Umbanda tem sua origem no grego e significa: "Deus [é] conosco", e sua definição é: "A manifestação do espírito, para a prática da caridade". Sua liturgia é extremamente simples em aparência, e extremamente complexa em ciência. Utiliza os livros de Allan Kardec, com ressalvas e correções, para explicar aos seus adeptos o processo dos fenômenos espirituais, da mecânica da mediunidade, da reencarnação, etc. Além de se fazer base didática na leitura do livro: "O Espiritismo, a Magia e as Sete Linhas de Umbanda" (1933), escrito pelo sr. Leal de Souza, jornalista, escritor, poeta e Presidente da "Tenda Espírita Nossa Senhora da Conceição".
             
Gongá (altar) da Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade
 O Espiritismo de Linha, ou seja, a Umbanda, busca aprimorar as faculdades mediúnicas inerentes ao adepto, por meio de larga experiência prática e preparação sumamente teórica. Possui severidade conquanto à disciplina, porém é isenta dos dogmas condenadores. Possui uma linguagem própria para designar a sua operosidade. É marcante o uso dos uniformes brancos por parte de todos os membros da Tenda. Sessões, como são chamados os períodos de trabalhos. Em seu calendário litúrgico, celebra com rigorosidade, seriedade, e profunda alegria, os Padroeiros das Linhas. 
               A caridade é sua expressão máxima. Tem como um dos seus princípios o preparo para a vida futura. 
               Respeita todas as religiões dignas e verdadeiras, que seguem a Deus e a seus mandamentos sem nunca ferir o livre-arbítrio alheio, ou filiar-se às práticas funestas da Magia Negra.
               No Espiritismo de Linha (Umbanda), não se promove dízimos ou pagas pelos trabalhos feitos. Essa prática é contrária à lei de Umbanda e quem assim pratica, é abandonado pelos seus Guias e Protetores, ficando este médium a mercê de todo espírito inferior que puder deduzi-lo a miséria."
              De acordo com o sr. Leal de Souza, e com experiências pessoais que não me deixam duvidar, não há nenhuma organização espírita que se compare às Tendas de Maria do Chefe Caboclo das Sete Encruzilhadas. E basta que falemos delas para consagrá-las como grandes e legítimas instituições religiosas.

sábado, 3 de outubro de 2015

1 - Orientações aos Fiéis e Verdadeiros Adeptos

         
Ponto Riscado do Caboclo das Sete Encruzilhadas

               A religião solicita aos seus fiéis grandes responsabilidades, que devem ser seguidas não como obrigações, mas antes de tudo com amor e respeito. Jesus, na sua doçura e simplicidade, convidou homens ignorantes a sua companhia, pobres, ricos, velhos e novos, não pelo que fazia, mas pelo que era, uma figura exemplar de ser humano que diante de todas as dores do mundo não deixou de perdoar os seus inimigos. Seus milagres emocionavam os mais próximos e os que desejavam se aproximar, pois ali era externado sua grandiosidade espiritual conseguida perante muitas dores e penas, expiações e missões, porém e, acima de tudo, com fé e amor a Deus. Se o filho de Umbanda ainda procura modelo a seguir, lembremos que o Caboclo das Sete Encruzilhadas, fundador da abnegada Religião, nos disse que esta Umbanda teria como base o Evangelho de Cristo e recordando a pergunta 625 do Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, sobre o maior modelo que Deus ofereceu ao homem para servi-lhe de guia, os espíritos respondem Jesus, portanto Cristo deve ser modelo e guia para todo filho de Umbanda, sincero e fiel a Doutrina trazida pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas.
               Conta-nos Leal de Souza, em sua recomendada obra O Espiritismo, a Magia e as Sete Linhas de Umbanda, editora Conhecimento, 2º edição, 2008, que estava o Caboclo das Sete Encruzilhadas no ponto de interseção de sete caminhos, triste e choroso sem saber os rumos que tomaria seu destino quando apareceu-lhe Jesus, em sua doçura inefável mostrando-o numa das regiões da Terra, as tragédias e dores vivenciadas pelas paixões humanas. Por isso, indicou-lhe o caminho a seguir, como verdadeiro missionário do consolo e da redenção. E, de maneira que pudesse jamais esquecer este momento sublime da sua eternidade, rebaixando-se aos humildes trabalhadores, este pequenino mensageiro do Cristo tirou seu nome do número dos caminhos que o desorientava, ficando, como hoje nós conhecemos, o Caboclo das Sete Encruzilhadas, carinhosamente chamado, daqui em diante, como Chefe.
               Jesus, em toda sua Sabedoria e Amor, jamais se equivocaria em designar tal missão a qualquer um dos Seus Anjos, escolhendo para isso um espírito humilde e que se fez pequenino para assim amar, tal como Deus nos ama, todos os encarnados que se aproximassem dele, quer direta ou indiretamente. Afim de que toda a sua missão fosse materializada na Terra, foi escolhido para o trabalho um jovem rapaz chamado Zélio Fernandino de Moraes, com 17 anos na época. A história todos nós já conhecemos, entretanto, o que pretendemos neste momento é clarificar a importância deste momento religioso e a autoridade sobre todo o espiritismo de Umbanda que cabe ao humilde Chefe. Portanto, todo filho de Umbanda, verdadeiro Templário da Ordem Branca, reconhece o Caboclo das Sete Encruzilhadas como criador, fundador e instituidor da Religião de Umbanda, em todo o mundo. Se ainda procuramos saber e fazer Umbanda jamais vos esqueça de que modelo maior que Jesus não há e que a Doutrina do Chefe Caboclo das Sete Encruzilhadas é farol que nos guiará aos rumos certos diante de toda a escuridão que ainda insiste em nos atrapalhar a caminhada rumo a Deus.
               Uma Doutrina é firmada no mundo sob as ordens de Jesus, e como ordem podemos entender que fora sob suas palavras erigidas e O mesmo já nos aliviava: "O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar.” A Umbanda instituída pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas veio para ficar, como rocha firme e intacta, como é a palavra do Nosso Guia Maior, o Cristo.
              

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Introdução aos estudos

               Aos abnegados irmãos, que nossa luta siga confiante e com Cristo. Sob o manto de Nossa Senhora, que Nosso sempre Humilde Chefe Caboclo das Sete Encruzilhadas nos traga a inspiração perfeita , sensibilizando nossos coração para a prática da Caridade, imbuídos de Amor e Humildade.
       
               A Umbanda é religião dos simples, porque assim como nascestes em casa modesta, assim deve ser em todos os cantos. Ainda que não haja tijolos levantados ou um teto que possa nos proteger da chuva ou do sol, a Umbanda acontece embaixo das árvores ou sob o manto negro azulado da noite. Deus, em sua infinita Misericórdia enviou o Humilde Chefe Caboclo das Sete Encruzilhadas para nos dar o caminho, a verdade sobre um movimento que precisou ser criado no solo brasileiro. Era uma semente pequenina, como um grão de mostarda e que cresceu e se fortaleceu sob a bandeira mais pura da humildade, do amor e da caridade. Mas, não nos enganemos, pois o mesmo movimento já ocorria no espaço, organizado por espíritos de pretos e caboclos que viveram em encarnações passadas em todos os cantos do Brasil e além, carregando consigo a tarefa de ajudar o grandioso país, elevando, a patamares nunca antes visto, o Evangelho de Jesus Cristo.
               O responsável por abençoado movimento, o Chefe Caboclo das Sete Encruzilhadas, como nenhum outro espírito que baixara na Terra, trouxe para os rincões de São Gonçalo, no Rio de Janeiro, o Evangelho do Cristo e assim nascestes a Umbanda. A nova religião seria simples, como só espíritos de luz sabem fazer. Os fiéis estariam de branco e pés descalços. Os espíritos iriam se manifestar para a prática da Caridade, com Jesus.
                Desta postagem em diante iremos nos aprofundar nas verdades sobre a Umbanda, trazendo, de forma simples, detalhes, conceitos, práticas para servir aos de coração puro como um farol na escuridão. Seja como for, a Linha Branca de Umbanda carrega em si as verdades, conduzida por Aquele que trouxe a Umbanda ao solo brasileiro. Para aprendermos com Aquele que sabe mais, é requisitado a nós toda a humildade, toda a fé e amor, pois ainda que nosso entendimento seja imperfeito para compreendermos tais coisas, que possamos avançar confiantes e imbuídos de boa vontade e respeito
               Deus seja conosco!

sábado, 9 de maio de 2015

A Umbanda Não Faz o Santo Nem Feitura de Cabeça


        O fundador da Umbanda, o Caboclo das Sete Encruzilhadas (que foi padre em vidas anteriores) ao se incorporar no médium fluminense Zélio de Morais, ditou as normas de como deviam funcionar os terreiros de Umbanda, praticando a caridade gratuita; sem tocar tambores (atabaques), nem palmas no acompanhamento dos médiuns de incorporação, doutrinando-os e afastando-os, aliviando os doentes, curando-os da falsa loucura.
          Zélio de Moraes, que faleceu aos 83 anos, em 1975, ao ser entrevistado por Ronaldo Antônio Linares, presidente da Federação Umbandista do Grande ABC, na rua Visconde Inhauma, 1174, Vila Gerty, em São Caetano do Sul, diz: "Não havia Umbanda antes de 1908. Havia a chamada macumba, que era feita pelo Candomblé, por causa das oferendas aos santos. A Umbanda não é macumba, não é Candomblé. Na Umbanda não se usa isso. Nós não batemos tambor (atabaque). Quem bate é a macumba. Nossa Umbanda não tem tambor e nem palmas, nem roupa de seda. Aqui, em meu terreiro, se usa roupa simples de algodão e sapato de córda ou descalço. Não tem seda, nem luxo. Tenho ouvido que muitos umbandistas aqui da Guanabara estão "fazendo o santo". Médium fazer santo? Eu não creio nisso. Nós trazemos isso de berço. Ninguém bota santo na cabeça dos outros. Em nossas sessões, temos a preocupação de curar loucos (desobsessões). Já foram curados muitos, que estavam em sanatórios e que era de outras religiões. Eu trabalho com o Orixá Malé, de Ogum, que foi trazido pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas para curar os loucos ou obsidiados".

Lux Jornal - Notícias Populares (São Paulo), 15 de Junho de 1977

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Carta aos Irmãos de Fé

Gongá da Tenda Espírita Nossa Senhora do Rosário (São Paulo)
Rogando a Mudança do Hábito de Generalizarem, nos Assuntos Espíritas de Umbanda:

          Recordando, no dia de hoje, onde o mundo salva o combatente benfeitor, emissário da fé em Cristo, que vence as torrentes pérfidas do mal, venho eu, simplório servidor do magnânimo Espiritismo de Umbanda, um humilde Chefe de Tenda, enviar um abraço fraterno aos meus irmãos, combalidos e triunfantes nas labutas do mundo. No entanto, devo encarecidamente, pedir um favor aos meus irmãos. Favor ousado, devo dizer. Peço, em nome do Cristo, que possais entender minha contenda.
          Sem mais delongas, solicito aos irmãos, que ao ensinarem sobre as vossas doutrinas, que o façam em nome delas, sem generalizar o Espiritismo de Umbanda.
Pois devo dizer aos meus irmãos, que em minha doutrina, não cultuamos deuses africanos, ancestrais divinizados, encantados nos elementos da natureza, energias das forças naturais, ou cousas parecidas.
          Respeito, profundamente quem o faça em seus Terreiros de Umbanda. Porém, devo acrescentar, que aqueles a quem chamo de Orixás, são os Padroeiros, os Santos propriamente, excluindo o tal "sincretismo" que tantos perseguem. Para nós, servidores humildes da Linha, nunca houve sincretismo, pois como exposto, prestamos reverência aos Santos, que são os que chamamos de Orixás. Poucos baixaram e baixam entre nós, nas Tendas, para trazer a benfeitoria do espaço.
           O primeiro, cito, fora aquele a quem chamamos de grande Capitão de Demanda, o Orixá Mallet, que fora trazido pelo Chefe em 1913. E que quando encarnado fora um príncipe malaio. Junto, Ele trouxe, o Orixá Ganga Mu, os quais trabalharam ativamente em seus aparelhos, verdadeiros dignatários do Altíssimo. O Orixá Mallet, respectivamente com o Sr. Zélio de Moraes, e o Orixá Ganga Mu, com o Sr. Ruiz.
          Eu falo, e tão somente, em nome da minha simploriedade, e da minha Tenda, a Tenda Espírita Nossa Senhora do Rosário. Como já muito expus, para nós, as Sete Linhas Brancas, possuem um Patrono, e mais vinte Orixás, em cada uma, para chefiar as suas missões, isto é, das suas falanges no espaço e nas Tendas.
          Assim sendo, litarei em ordem hierárquica, os Patronos das Sete Linhas Brancas: Jesus, São Jorge, São Sebastião, São Jerônimo, Santa Bárbara e a Virgem Maria. A sétima Linha, não possui um Patrono, pois ela se acosta às outras seis para trabalhar. Em outra linguagem, chamamos de: Oxalá, de Ogum, Xangô, Nhan-San, Amanjar e Almas (também chamada de Linha de Santo, esta se acosta às outras seis para exercer suas funções). Em cada uma destas Linhas, há seus Padroeiros, os Santos, a quem chamamos de Orixás.
A título de curiosidade, cito alguns Orixás das Linhas, que prestamos reverência. Na Linha de Oxalá: São Cosme e São Damião, São Miguel Arcanjo, São Benedito, Santa Clara, Santa Luzia, etc.
          Na Linha de Ogum: Santo Expedito, Santo Antônio, São Longuinho, São Florêncio, etc. E assim sucessivamente. Enfim.
          Agradeço, aos que leram até o final, e sendo assim, suplico para que não generalizem, e que expliquem as coisas, remetendo os assuntos, e destacando-os como pertencentes à sua Doutrina. Não generalizem irmãos. E como término, peço à Deus que vos infunda a paz nos corações, as saúdes em vossas matérias, e que todos sejam contemplados pelo meu sincero abraço fraterno.

Felipe Deininger Hlibka - Presidente da Tenda Espírita Nossa Senhora do Rosário, 2015

terça-feira, 14 de abril de 2015

Desvirtuamento


        "No crescimento religioso que, a partir de 1930, tomou ainda menor vulto, nem todos os dirigentes souberam manter-se na função de missionários da espiritualidade. A vaidade, a intolerância, as tentações que a "vil moeda", como dizia o Caboclo, exerce sobre o homem, são as principais responsáveis pelo grande número de templos que usam o nome de Umbanda - pela vibratória interna do vocábulo - sem contudo, seguirem as normas estabelecidas pela entidade, desrespeitando a verdadeira Codificação elaborada em longos meses de estudo e trabalho prático. Nem todos souberam manter o "slogan": A Umbanda é a manifestação do espírito para a caridade." Em consequência, o modesto uniforme branco deu lugar a vestimentas vistosas, com rendas e lamês de alto custo sugerindo luxo e estabelecendo indevidamente diferença econômica entre os membros de uma comunidade religiosa.
          A presença dos Caboclos deixou de objetivar exclusivamente a prática da Caridade, para constituir uma reunião festiva, e o conceito "dai de graça o que de graça recebes" ficou no esquecimento substituído que foi pelos cartazes que estipulam preços para "consulta" de Pretos-Velhos, Exus e das "ciganas".
          A magia que o Caboclo das Sete Encruzilhadas e seus auxiliares espirituais incorporados em médiuns cônscios de sua responsabilidade, praticavam para curar, retirar obsessores, encaminhar os desviados da trilha do amor fraterno e da Caridade, deu lugar à magia terra-a-terra regada a sangue e movida por dinheiro. 
          Umbanda cresceu e difundiu-se. Milhares de templos cumprem a sua missão de caridade espiritual. Outros - em em número considerável, infelizmente - desvirtuam-na.
          A Aliança Umbandista do Estado do Rio de Janeiro - a ALUERJ, porém, confiante no futuro de progresso e paz que aguarda as gerações vindouras, espera reerguer, em toda a sua pujança os conceitos que, há pouco mais de meio século, implantaram em nosso País e Religião de Umbanda."

Lilia Ribeiro, 1976
Jornal: Na Gira de Umbanda, nº 6

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Surge a Umbanda

 
        "No dia seguinte, 16 de novembro de 1908, na residência do jovem médium, na Rua Floriano, 30, em Neves, realizou-se a primeira sessão desse culto, ao qual a entidade deu o nome de Umbanda. Estavam presentes quase todos os membros da Federação Espírita, para verificar a veracidade do que fora declarado na véspera. Os amigos da família, surpreendidos e incrédulos, e também grande número de desconhecidos, enfermos e aleijados, que ninguém saberia dizer como haviam tomado conhecimento do que se passava. E muitos deles ao final da reunião, estavam curados.
          Vamos fazer um breve parêntese para focalizar um assunto que tem dado margem a controvérsias: o emprego do vocábulo Umbanda. Diz Matta e Silva, no livro "Umbanda do Brasil": 


"Esta complexa mistura, que o leigo chama de macumba, baixo espiritismo, magia negra, envolvendo práticas fetichistas e barulhentas em pleno século XX, era a situação existente quando surgiu um vigoroso movimento de luz, ordenado pelo astral superior, feito pelos espíritos que se apresentavam como Caboclos, Pretos-Velhos e Crianças. Em meio às práticas confusas, desordenadas, fez-se imprescindível , um movimento dentro desses cultos, ou de sua massa de adeptos, lançado através da mediunidade, pelos Caboclo e Pretos-Velhos com o nome de Umbanda. O termo Umbanda que eles implantaram no meio ambiente, para servir de bandeira a essa corrente poderosa, um termo litúrgico sagrado, vibrado, que significa, num sentido mais profundo, o conjunto de leis de Deus. O termo Umbanda foi implantado, há pouco mais de 50 anos pelos espíritos que se apresentam como Caboclos e Pretos-Velhos."

          Emanuel Zespo escrevia em 1953 ("Codificação da Lei de Umbanda", 2º volume): "O movimento umbandista do Brasil está apenas em sua quarta década." No "Pequeno Dicionário de Umbanda", publicado em 1956, com o seu nome verdadeiro, Paulo Menezes, diz: - ... durante quase onze anos estudamos de lápis e papel em punho as mirongas do rito umbandista; assisti ao nascimento do Jornal de Umbanda, escutamos a história da Umbanda, na voz de José Álvares Pessoa; privamos com o mais antigo médium de Umbanda: Zélio de Moraes."
          Lembremos, também, o livro de João do Rio, publicado em 1904, onde descreve todos os cultos e seitas e cujas práticas assistiu, não citando, nem uma vez, o termo Umbanda. Mas, voltaremos a 16 de novembro de 1908.
          A entidade manifestou-se e determinou as normas do culto, cuja prática seria denominada "sessão" e se realizaria à noite, das 20 às 22 horas, para a cura de enfermos, passes e recuperação de obsedados. O uniforme a ser usado pelos praticantes seria inteiramente branco. O atendimento público é totalmente gratuito. Os cânticos não seriam acompanhados de atabaques, nem de palmas ritmadas. 
          Fundava-se assim o primeiro templo para o culto de Umbanda, com denominação de "Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade", porque - nas palavras da entidade - assim como Maria acolhe em seus braços o Filho, assim a Tenda acolheria os que nas horas de aflição a ela recorressem. 
          Através de Zélio de Moraes, além do Caboclo das Sete Encruzilhadas manifestou-se um Preto-Velho, Pai Antônio para a cura de enfermos. Cinco anos mais tarde, apresentou-se outra entidade, o Orixá Malé, para tratar de obsedados e combater trabalhos de magia negra.
          A figura de Cristo centralizava o culto. Sua doutrina de perdão, de amor, de caridade, era a diretriz dessa religião, que falava de perto ao coração dos humildes, anulando preconceitos, nivelando o doutor e o operário, o general e o soldado, a senhora e a sua serviçal. Daí em diante, a casa de Zélio de Moraes passou a ser a meta de crentes, descrentes, enfermos e curiosos.
          Os enfermos eram curados. Os descrentes assistiam a provas irrefutáveis. Os curiosos constatavam a presença de uma força superior. E os crentes aumentavam dia a dia.
          A retribuição monetária pelos trabalhos de cura, de enfermos e obsedados não era admitida, nem mesmo sob forma de presentes. Médiuns que, por receberem entidades que se apresentavam como Caboclo e Pretos eram recusados em centros espíritas, aderiram ao novo culto. Houve manifestações espontâneas de mediunidade. E deu-se a recuperação imediata de enfermos, cuja doença, considerada mental, nada mais era do que manifestação mediúnica.
          Mais tarde, iniciaram-se as aulas doutrinárias para o preparo de médiuns que iriam dirigir os sete templos que o Caboclo das Sete Encruzilhadas deveria fundar, como segunda etapa da sua missão: Tenda Nossa Sra. da Conceição, com Leal de Souza; Tenda Nossa Sra. da Guia, com Durval de Souza; Tenda Santa Bárbara, com João Aguiar; Tenda São Pedro, com José Meireles; Tenda de Oxalá, com Paulo Lavois; Tenda São Jorge, com João Severino Ramos; Tenda São Jerônimo, com José Álvares Pessoa e Anírio M. Batista, médium do Caboclo da Lua.
Centenas de Templos foram depois fundados sob a orientação do Caboclo das Sete Encruzilhadas, no Estado do Rio, em São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Pará, Rio Grande do Sul. Sempre que possível, Zélio participa pessoalmente da instalação; quando o seu trabalho material não o permitia, enviava médiuns capacitados para organizarem e dirigirem as novas Casas.
          O Caboclo das Sete Encruzilhadas nunca determinou sacrifício de aves ou animais para fortalecer o poder do médium, nem para homenagear entidades. O preparo mediúnico baseava-se na doutrina, no ensinamento de normas evangélicas. A água e as ervas eram os elementos ritualísticos usados através de amacis, banhos e defumadores.
          O Evangelho era a base do ensinamento da entidade que recomendava, como lembrete constante do que é necessário para a prática correta e leal da mediunidade: não ter vaidade; manter elevado padrão moral; proceder corretamente dentro e fora do templo; prestar socorro espiritual gratuitamente a todos os que dele necessitando recorram ao médium, não aceitar retribuição monetária pelos trabalhos. A única retribuição deve ser a certeza do dever cumprido.
          A Umbanda nos ensina a crer num Deus único e absoluto, nos Orixás, forças superiores que atuam nos vários campos de revelação e chegam até nós através dos seus mensageiros, os Guias, trabalhadores dos terreiros de Umbanda; na Reencarnação - a volta do espírito, sucessivamente, à matéria para se aproximar de Deus; na Lei de Causa e Efeito - que nos dá a colheita correspondente ao que semeamos; no amor ao próximo, base da Fraternidade Universal.
          A Umbanda indica-nos o caminho a seguir: a prática da mediunidade como missão e nunca profissão; a humildade,  a tolerância, a compreensão, o pensamento positivo para nós mesmos e para os nossos semelhantes; a Caridade - Amor espiritual - na palavra e na ação.
          Em 1939, o Caboclo determinou que se fundasse uma Federação para congregar os templos umbandistas e que deveria ser o núcleo central do culto. Essa Federação passou a denominar-se, mais tarde, União Espiritista de Umbanda
do Brasil. Dez anos depois, surgiu o Jornal de Umbanda, que durante mais de dois decênios, foi um porta voz doutrinário de grande valor."

Lilia Ribeiro, 1976
Jornal: Na Gira de Umbanda, nº 6

Uma Nova Era

Quadro do Chefe Caboclo das Sete Encruzilhadas
(pintado mediunicamente)
          "Em 15 de novembro de 1908 compareceu a uma sessão da Federação Espírita em Niterói, um jovem de 17 anos pertencente a tradicional família fluminense. Chamava-se Zélio de Moraes e restabelecera-se, dias antes, de moléstia cuja origem os médicos haviam tentado, em vão, identificar. Sua recuperação inesperada causara surpresa. Nem os doutores, nem os tios, sacerdotes católicos, haviam encontrado explicação plausível. A família atendeu , então, à sugestão de um amigo que se ofereceu para acompanhar o jovem Zélio à Federação.
          O dirigente dos trabalhos, José de Souza, convidou-o a participar da Mesa. No decorrer da reunião, Zélio sentiu-se tomado por uma força estranha e ouviu sua própria voz perguntar por que não eram aceitas as mensagens dos índios e caboclos e se eram eles considerados atrasados apenas pela cor e pela classe social que declinavam.
          Seguiu-se um diálogo acalorado, no qual os dirigentes da Mesa procuravam doutrinar o espírito desconhecido que mantinha argumentação segura. Finalmente, um dos videntes pediu que a entidade se identificasse, já que lhe aparecia envolvida numa aura de luz.
          - Se querem um nome - respondeu involuntariamente Zélio - que seja este: Caboclo das Sete Encruzilhadas porque não haverá caminhos fechados para mim. E prosseguindo, anunciou a missão que trazia: estabelecer um culto no qual os espíritos de índios e negros escravos pudessem cumprir as determinações do astral." 

Lilia Ribeiro, 1976
Jornal: Na Gira de Umbanda, nº 6

sábado, 11 de abril de 2015

A Deturpação

Batuque do Rio Grande do Sul
          "Em fins do século passado, o culto africano deturpara-se. A introdução de elementos de outras crenças gerou confusão. A magia dos velhos africanos transmitida através de gerações foi colocada a serviço de interesses pessoais e passou a constituir fonte de renda. Tudo se fazia para o bem ou para o mal, em troca de retribuição monetária. E, logicamente, trabalhava-se de preferência para o mal, porque - bem o sabemos e é triste reconhecê-lo - é mais fácil pagar para prejudicar o próximo do que em benefício de alguém. Mais facilmente o ser humano gasta para satisfazer uma vaidade ou concretizar uma vingança do que para salvar uma vida...
          Nessa base, multiplicavam-se os locais onde se pagava para prejudicar o inimigo, destruir lares, conquistar o que pertencia a outros. E, querendo aumentar o rendimento dos trabalhos, os feiticeiros criavam novos elementos para suas magias: objetos os mais curiosos, animais e aves inocentes, sacrificados para qualquer finalidade, obedecendo aos objetivos primordiais: enriquecer o mago e seus companheiros "derrubar" - termo ainda hoje muito usado em certos ambientes - os que não se curvavam ante os seus poderes negativos ou pretendiam fazer-lhes concorrência.
          Os mentores do plano astral, porém, há muito estavam atentos ao que se passava, sentando as bases de um movimento que pudesse combater a magia negativa que se propagava assustadoramente, envolvendo todos os grupos sociais: os mais humildes, amedrontados e os poderosos pagando para alcançarem sorrateiramente os seus objetivos inconfessáveis.
          Arregimentaram-se espíritos trabalhadores que se destinavam a restabelecer a doutrina da fraternidade e do amor ao próximo; deveriam apresentar-se sob formas capazes de serem aceitas e compreendidas pelo homem do povo, justamente o que se deixava levar com mais facilidade, pelas promessas ilusórias dos feiticeiros.
Batuque esculpido
          Formaram-se desse modo as falanges de Caboclos e Pretos-Velhos. De início aproximaram-se das sessões espíritas identificando-se sob essas formas, eram tidos como espíritos atrasados e suas mensagens não mereciam nem mesmo uma análise. Acercaram-se também dos Candomblés e dos cultos, então denominados baixo espiritismo, macumba. É provável que nestas, como nos Batuques do Rio Grande do Sul, tenham encontrado acolhida, mas para serem envolvidos nos trabalhos de magia negativa, como elementos novos no velho sistema de feitiçaria."

Lilia Ribeiro, 1976
Jornal: Na Gira de Umbanda, nº 6

sexta-feira, 10 de abril de 2015

O Sincretismo

          "Se o africano nos deu os Orixás, o índio nativo legou à Umbanda os conceitos e as práticas do seu culto; do Espiritismo veio o esclarecimento doutrinário, atualizando as doutrinas milenares do Oriente, reforçando a noção da Reencarnação e da comunicação com os desencarnados. Dizemos reforçando porque esses conceitos já existiam no culto dos nativos que se comunicavam com os seus antepassados através dos pajés.
          O catolicismo contribuiu, também de início, por imposição, assimilando o orixá do negro ao santo católico. Com o correr do tempo, os santos integraram-se ao culto umbandista de tal forma que ainda hoje se torna difícil dissociá-los.
          A figura de Cristo, introduzida entre os africanos e índios através da palavra dos missionários acentuada por influência do Espiritismo, que tem Jesus como um Mestre, centraliza a Umbanda com a sua doutrina de fraternidade e de amor - o Evangelho.
          Aos poucos, o escravo africano assimilou elementos da crença do nativo. A assimilação deu-se principalmente com o grupo Banto. Os sudaneses ou nagôs mantiveram-se fiéis às tradições. O índio, por sua vez, passou a aceitar os conceitos religiosos dos negros."

Lilia Ribeiro, 1976

Jornal: Na Gira de Umbanda, nº 6

quinta-feira, 9 de abril de 2015

E Assim Nasceu o Primeiro Terreiro de Umbanda

          "A Umbanda que hoje praticamos é a religião espiritualista, cristã que tem origem nas mais antigas filosofias orientais, fonte inicial de todas as crenças do mundo civilizado - e traz, em sua formação elementos dos cultos africanos e indígenas do espiritismo e do catolicismo. 
          O culto africano desempenhou papel preponderante na fixação da Umbanda em nosso país, sendo comum ouvir-se dizer que Umbanda foi trazida ao Brasil pelos escravos.     Todavia, o testemunho de historiadores nos faz saber que os negros não davam aos seus cultos a denominação de Umbanda. Isso não exclui o papel relevante que a crença africana desempenhou na formação da Umbanda, da qual se constituiu um dos principais alicerces, dando-lhe contribuição primordial os seus Orixás. 
         É de crer que a raça negra tenha tido a missão de implantar, em nosso país, as bases sobre as quais se havia de erguer a mais brasileira de todas as religiões, já que, para a sua constituição contribuíram as três raças que deram origem ao nosso povo." 

Lilia Ribeiro, 1976
Jornal: Na Gira de Umbanda, nº 6

domingo, 1 de março de 2015

Psicografia do Caboclo das Sete Encruzilhadas

O Chefe, Caboclo das Sete Encruzilhadas
          Abri os seios doloridos de vossas almas feridas pela prova, abri o sacrário de vossos corações acrisolados na dor, para dar guarida às celestes emanações que pelos meus irmãos emissários constantemente vos envio, como refrigério ao sofrimento que de quando em vez vos vem despertar do letargo em que jazeis; para entreverdes as claridades espirituais da vossa regeneração, onde, filhinhos viveis muito acuados, aprendei comigo que sou manso e humilde a suportar o peso da vossa cruz; vinde, pelos ensinos que vos leguei, adquirir as virtudes que um dia formarão rico diadema para ornar as vossas frontes de espíritos redimidos. Vinde repousar no meu seio os vossos espíritos combalidos pela provação, certo de que felizes sois, pois que o Filho do Homem não tinha onde reclinar a cabeça. Irmanai-vos pelo amor, compreendei que sois filhos de um mesmo Pai, chorai com os vossos semelhantes as suas desventuras, vesti os nus, confortai os aflitos e sereis dignos de seguir-me e sereis de fato meus discípulos.
          Tudo passará meus irmãos muito amados; mas, as minhas palavras jamais passarão, queira ou não os vossos espíritos, porque elas ficarão gravadas no cálice deste recinto e algum dia quando ele ruir o pé, se levantará, e o vento envia por este mundo de meu Deus as minhas palavras. A árvore do Evangelho é semeada há dois mil anos na Palestina, eu a transportei para o rincão de São Gonçalo onde o meu olhar se fixa nutrindo o meu Espírito à esperança que breve florescerá, estendendo a sua fronde por toda a parte e dando frutos sazonados de amor e de perdão.
          Irmãos meus muito amados há longos anos que procuro reunir-vos todos, para que formeis um só rebanho sob minha direção; mas rebeldes, vos tendes conservado às minhas injunções, procurando antes servir o egoísmo das vossas matérias. Cumpridor fiel da vontade do PAI, toda a minha complacência se distribui por este pobre rebanho desgarrado. Prometi, porém que todos seriam salvos e espero levar-vos um dia limpos e puros, às suas sacratíssimas plantas, aureolados às vossas frontes pela luz brilhante da purificação final.
          Estudai meus caros irmãos, gravando os meus ensinos, as minhas palavras em vossos corações, para que elas iluminem as vossas consciências, fazendo-vos finalmente compreender a necessidade que se vos impõe de remodelardes os vossos espíritos esmagando o orgulho e o egoísmo que os degradam e adquirindo as virtudes que os elevam no conceito do nosso Pai Criador.
          A minha paz vos dou, a minha paz voz deixo, como deixo a minha humildade para que ela possa vos engrandecer perante o Pai, pedindo-vos que vos ameis uns aos outros, como eu vos amo lembrando-vos sempre que sou o mais pequenino e humilde dos espíritos que baixam ao planeta Terra.


Caboclo das Sete Encruzilhadas; Zélio Fernandino de Morais, 1919.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Ode ao Peregrino dos Sete Caminhos

Que no Brasil,
Nunca se viu,
Tão bela história como essa,
E que agora conto em prosa,
Sem pressa.
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De padre caridoso,
A índio combatente,
Que vieste à Terra do Cruzeiro,
Com nobre missão,
Espalhar a luz do Cristo,
Sem titubeação,
Mas, eis que te deparaste com a afronta,
E tendo a pena à mão,
Escreveste com ponta,
E quão sábio foi teu diálogo,
Que incomodou de clero à diácono,
Hereges hipócritas da Inquisição,
Condenando-te à fogueira,
Para que de seus pecados,
Alcançasses o perdão.
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Não supunham a tua ascensão,
Como dos anjos o mais belo e adorado,
Dos sete caminhos,
O peregrino Ermitão,
De pureza coroado.
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E quando perdido na intersecção,
Te achavas,
O pranto de ti destoava,
Mas entre a placidez a tua alvorada,
Que se meus singelos olhos,
A essa cena assistisse,
As lágrimas correriam,
Destacando o céu de seus matizes.
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E eis que te surgiu em esplendor,
Coroado de espinhos em flor,
O Filho de Deus,
Fazendo dos sete caminhos como teus,
E guiando-te pela mão,
Apontou-te a direção.
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Dos sete caminhos teus,
Por ordem de Deus,
Tiraste teu santo nome,
Que aplaca a fera,
E suaviza o homem.
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Trazendo em alvo resplendor,
No peito,
O signo do amor,
E como se já não fosse suficiente,
Trazes a flecha guia,
Que o caminho aponta,
A todo crente,
Que alçado de boa vontade,
A redenção através de ti encontra.
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A Virgem Maria,
Senhora da Piedade,
É a luz que sempre te alumia,
Nas veredas incontáveis,
De tua formosa missão,
Que é levar o evangelho,
A toda nação.
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Coroado de Umbanda o diadema,
Eis que de ti veio o lema,
A Lei,
Amor, Humildade e Caridade,
Sem dúvida,
O evangelho todo,
Em uma verdade.
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Bendita estrela,
Anjo bem-aventurado,
Umbanda é tua sempre,
Pelos caminhos teus,
Através dela,
Conduz-nos a Deus.
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E que cantam os pássaros,
quando de ti,
Resplandece a alvorada?
E que nas terras do Brasil,
se brada?
Bendito e louvado sejas,
Caboclo das Sete Encruzilhadas.




Felipe Deininger Hlibka, 2015

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

A Missão do Iluminado Chefe

Congá na Tenda Nossa Senhora da Piedade - Primeira
Tenda de Umbanda fundada no mundo
          As vozes de Aruanda ressoam humílimas para todos que de coração aberto desejam a comunhão sincera com o Cristo. A Umbanda apresenta-se como nova escola, arrebatando o coração do simples, utilizando o bem para combater o mal. Junto com a mesma, e antes mesmo desta, surge seu fundador carregando no peito seu amor pela humanidade. Diante de sete caminhos chorou pelos aflitos e por não saber mais o que poderia ser feito para o bem de todos. Neste mesmo instante foi surpreendido pelo Mestre a quem tanto devotou fé: Jesus. Ali a misericórdia do Cristo repousou sobre os ombros do então triste espírito. Haveria de juntar forças a fim de cumprir a missão que lhe era confiada e para isso precisaria também de coragem para a Caridade, Humildade e acima de tudo Amor, capaz de abraçar uma nação inteira a fim de levar a esta a força e a oportunidade de caminhos abertos rumo ao Pai Maior.
          Passada as informações de como seria o novo culto e o seu objetivo, o então humilde Caboclo, agora carregando consigo o nome de Sete Encruzilhadas, deveria pôr em prática as ordens do Mestre Jesus. No planeta Terra e carregando ainda seus objetivos para com o Brasil, escolheu um jovem menino, de 17 anos de idade, em Niterói, na cidade do Rio de Janeiro. Seu nome: Zélio. Trabalhariam juntos para ver a Doutrina do Cristo se espalhar mais fortemente no país e de forma simples para que não houvesse obstáculos a sua realização. E assim fora feito. O Caboclo das Sete Encruzilhadas, chamado carinhosamente de Chefe por seus humildes filhos da Terra, terminou de elaborar o culto sem jamais esquecer as ordens de Jesus, pois a religião que se chamaria Umbanda deveria estender a bandeira da humildade, do amor e da caridade acima de tudo. Chamou os espíritos que estivessem dispostos a servir em nome do bem. Outros caboclos se uniram e então vieram os antigos escravos que antes gemiam do eito de dor e que agora sorriam felizes pela misericórdia de Deus, para auxiliar o tão triste Brasil. Era necessário muito trabalho para que o mal não pudesse corromper os corações e o próprio país e então por isso, espíritos dotados de grande poder e sabedoria baixariam em seus médiuns portando o título de orixás, estes comparados a generais, na qual estariam incumbidos de trabalhos mais complexos e de difícil desmanche. A magia negra não daria trégua e a ação do mal caminharia para mistificar e deturbar a Doutrina, porém o bem também continuaria e não sucumbiria. Guerreiros de Ogum, de Iansã e Oxalá, sagitários de Euxóssi, Caboclos de Xangô e de Amanjár uniriam-se ao exército branco de Umbanda, fortificando-lhe as muralhas e estabelecendo a ordem no caos. E aqueles que fazendo mal quisessem o perdão de Deus, também encontrariam espaço dentro do culto e a estes ficariam a responsabilidade da Linha das Almas. Portanto a missão dos exus seria a de convencer antigos companheiros, ainda resistentes na elaboração de nefastas magias, a fazerem a Caridade em Amor ao Cristo.
          A guerra contra o egoísmo que assola a Terra e o Brasil continua a marchar. O homem e a mulher estão perdendo a sua honra, crianças se deparam constantemente com elementos eróticos impostos pela mídia e pela moda, o fanatismo religioso ceifa milhares de vidas e esportes violentos e sanguinários são eleitos os mais divertidos.  Médiuns que cobram pela caridade feita, deturbam a sagrada Doutrina trazida pelo humilde e misericordioso Caboclo das Sete Encruzilhadas, chefes de terreiro corrompendo-se pela vil moeda. E ainda, médiuns que se dizem de umbanda fazendo mal ao seu semelhante. A estes, como o nosso iluminado Chefe já nos alertou, serão expulsos como Jesus expulsos os vendilhões do templo.
          Ao Chefe de todo Espiritismo de Umbanda e a qual todos os guias, protetores e médiuns devem obediência, respeito e devoção, nós pedimos sempre a sua inspiração para fazer desta Doutrina a manifestação do Amor de Jesus no Brasil e no Mundo. Dá-nos a coragem e a sabedoria para combater com maior força todo o mal e que tenhamos esse Amor, de irmão para irmão, que fará de nós capazes de levantarmos juntos essa sagrada bandeira de Umbanda. Salve quem tem fé e quem não tem e salve nosso grande e iluminado Chefe Caboclo das Sete Encruzilhadas hoje, amanhã e sempre!

Lucas de Sousa, 2015

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Fiel umbandista

          Viver a Umbanda não é somente sustentar a roupa branca a lhe trazer a sensação de pureza e bem-estar. A beleza dos pés descalços, os emocionantes pontos cantados, o envolvente aroma da defumação podem, em certo momento, encantar o devoto, atirando aos seus olhos o véu que lhe cega para o verdadeiro objetivo da prática umbandista.
          Toda a ritualística descrita aos leitores é de extrema importância e fundamento, tornando-se indispensáveis para uma segura sessão de Umbanda. Todavia, ao se prostrar perante os guias de luz, jurando devotamento e auxílio, devemos gravar no peito o que de mais importante e urgente devemos fazer acontecer: A manifestação do Amor e da Caridade, que a Umbanda prega e luta para conseguir levar adiante.
          Ao decidir pela roupa branca, primeiro é preciso que no coração já esteja pulsando o desejo de amar assim como fez Nosso Senhor. Com os pés descalços, ouvindo os pontos e sentindo o gostoso aroma da defumação, denunciará a si mesmo que os trabalhos precisam começar, mas é urgente a firmeza no único e importante objetivo de fazer o bem, saber escutar a dor do próximo, guardar sigilo a respeito dos casos na condição de cambono, ser fiel ao guia com o qual trabalha, esquecer-se de si para olhar, orar e trabalhar pelo próximo, sem esperar nada em troca e nem mesmo ver a quem.
          Todo o trabalho dentro da Umbanda é com o objetivo de servir ao próximo, assim como Jesus, nosso Mestre fez. Este grande servo de Deus conquistou todo seu objetivo, mesmo passando por momentos de sofrimento e dor, como qualquer um. Assim também é o médium da Linha Branca.
          Durante sua encarnação não só se deparará com os momentos de alegria, mas também encontrará na caminhada a morte, a descrença, a dor, a ilusão, a separação.
          Mesmo que toda tristeza do mundo recaísse sobre o Mestre este não deixava de servir e agradecer a Deus. Sua fé jamais se abalou. Seu Amor nunca vacilou. Assim também deve ser o trabalho do umbandista ou fiel de qualquer religião.
          O que primeiro devemos plantar em nosso coração é o desejo ardente de servir. A semente deve ser tratada, regada, preparada para crescer forte até a consciência a fim de que não se torne inconsciente. Jesus diante da escuridão levou a luz. Assim deve ser o umbandista, servindo para o bem, corrigindo a maldade.
        Ao novo fiel ou devoto, jamais esqueça que está em suas mãos a responsabilidade por muitas vidas. O próximo clamará a você a bondade e o perdão, sirva sem reclamar melhores condições. A dor pode ser a menor de todas, não julgue ou rotule ninguém. O próximo clamará a você a compreensão e não o preconceito ou recriminação.  É urgente ser humilde, mas não confunda esta com a pobreza e a estupidez. O próximo ainda clamará a você respeito e compaixão.  “Ser umbandista é ser clemente, é ter alma de crente, sempre voltada para o bem”, assim disse o nosso grande e iluminado Caboclo das Sete Encruzilhadas. E que assim seja feita a vontade do Pai.

Lucas de Sousa, 2014

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Rara entrevista de Zélia e Zilméia de Moraes em vídeo

             O vídeo abaixo é um raro documentário na qual as filhas, já desencarnadas, do Sr. Zélio de Moraes concedem entrevistas para falarem a respeito dos trabalhos do espiritismo de linha. Poucos conseguiram visualizar este vídeo, por não o acharem disponível na internet. Faço as minhas apresentações do mesmo para que seja divulgado aos que não conseguiram, até então, visualizá-lo. No vídeo, Zélia e Zilméia relatam milagres da nossa Umbanda, doutrina e explica a Umbanda de Humildade, Amor e Caridade que o Caboclo das Sete Encruzilhadas trouxe a este mundo.       Apresentam alguns pontos cantados e, ainda, é filmado uma das sessões de Caridade da primeira Tenda de Umbanda do mundo, a Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade. 
           Peço aos visitantes que possam ajudar na sua divulgação para que os irmãos que não conseguiram ver este vídeo, ainda, possam assisti-lo de forma mais fácil. 

                           Salve a Umbanda de Humildade, Amor e Caridade!

 
                 

quinta-feira, 24 de julho de 2014

O Grande Missionário

 "Este Espírito de eleição, cuja fé é um incentivo para os nossos Espíritos entibiados, cheios de irresoluções, fracos no cumprimento do dever, rebeldes quando não vemos que as coisas marcham sempre ao sabor dos nossos desejos; este Espírito de luz, cujo amor a Oxalá o levou a não ver os espinhos que o feriram ao longo da penosa jornada que teria de percorrer durante tão duros anos, bem merece ser enaltecido por todos os filhos de fé que se sentem felizes no ambiente humilde de Umbanda e que nem de leve suspeitam de seu verdadeiro valor, da sua singular grandiosidade.
          Habituados a ouvir dizer: “O Caboclo das Sete Encruzilhadas baixa tal ou qual Terreiro”, os adeptos de Umbanda imaginam que ele é “mais um” entre os inúmeros que vem para a sua missão de caridade.
          Já é tempo de corrigir-se o erro; ele não é “um entre muitos”, em Umbanda ele é o “primeiro entre todos”, porque foi comissionado para purificar os seus trabalhos; não há entidade que lhe não preste a sua homenagem, e todos, sem vaidade, sentem-se felizes em auxiliá-lo na sua obra de comissionado, pela qual ele vem lutando há mais de 40 anos. As injustiças, as ingratidões, os escárnios, a zombaria, que lhe tem sido feitas durante todo este tempo, jamais contribuíram para um desfalecimento, por minutos que fosse de sua parte, em levá-la avante.
          Assim como a tremenda campanha feita contra Nosso Senhor Jesus Cristo, por aqueles que, sem luz, desejavam o aniquilamento de sua obra e o desaparecimento de sua doutrina, só contribuiu para que ela com mais rapidez e segurança se propagasse pelo mundo inteiro, assim também toda a campanha de desmoralização e todo o sistema de intrigas urdido até hoje contra a obra formidável do Caboclo das Sete Encruzilhadas só tem contribuído, e cada vez mais contribuirá, para o seu engrandecimento e para que por todos os séculos se mantenha de pé."

José Álvares Pessoa (Capitão Pessoa), 1958

domingo, 29 de junho de 2014

A Linha Branca de Umbanda X Termos e preconceitos infundados

O esclarecimento concernente ao assunto, sobressaltando a luz da verdade para dissipação da penumbra em volta dos intelectos que se autoproclamam doutos de Umbanda e que infundados em sua formação levam suas meio-verdades ao domínio público e assim, cerceiam o povo de dúvidas e afirmações incertas.

          É do conhecimento geral, que os antagonismos naturais são inerentes ao equilíbrio natural do universo, e não haveria de ser diferente, conquanto a transliteração das palavras como as que são exemplificadas a seguir: bondade e maldade, luz e escuridão, amor e ódio, etc. Seguindo esta linha de raciocínio e de forma que eu pudesse esclarecer aos irmãos, de boa vontade, acerca de algumas leituras errôneas que fazem a respeito do título: “Linha Branca de Umbanda”, é de minha urgência, no tocante ao meu jeito de trabalho nesta religião, dar a real interpretação do mesmo, de forma contundente e sem demais delongas, objetivando a clareza e seriedade concernentes ao assunto pautado em questão.
          Afirmando a veridicidade que a Umbanda fora fundada no ano de 1908, através da manifestação do Chefe Caboclo das Sete Encruzilhadas, no qual trazia uma ordem, isto é, uma missão, que foi a edificação da doutrina semeada na Rua Floriano Peixoto, n° 30, em Neves, São Gonçalo, RJ, culminada sob o nome de Umbanda, que nas palavras do divino fundador significa: “A manifestação do Espírito, para a prática da caridade”. E como é de se notar, essa árvore frondosa e frutífera é bastante jovem, em comparação as grandes religiões e por isso, frente aos registros eletrônicos mais modernos da Terra é possível ouvir mensagens do humilde fundador da religião em áudios ou ver momentos especiais registrados em fotos, a maioria em ótimo estado de conservação.
   

      A Tenda Espírita matriz, a considerar, a TENSP (Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade), continua levantada sob os rijos alicerces da bandeira da Lei de Umbanda, ou seja, a humildade, o amor e a caridade, princípios, cristãos esses, que o Caboclo deixou aos seus fiéis, como exemplo para se construir uma Umbanda séria e fiel aos seus verdadeiros fundamentos. Porém, estamos nos afastando cada vez mais da principialidade por causa do preconceito que se dá ao Espiritismo da Linha Branca de Umbanda e Demanda, a começar por não compreender o porquê do seu nome.
          Muitos afirmam ser um termo preconceituoso, intitular a Umbanda de “Linha Branca”. A começar, intitula-se de “Linha”, pela simples consideração de que a Umbanda é um segmento do Espiritismo. Deve-se pautar, entretanto, que o Espiritismo não se auto-refere à Doutrina Espírita codificada por Allan Kardec e sim a um conjunto de práticas religiosas ou não, que visam o estabelecimento da comunicação espiritual em qualquer nível, bem assim como, a formação teórica dos fenômenos espirituais que regem a humanidade desde os seus primórdios. Visto por esse ângulo, temos que o Espiritismo é a verdade aceita mais antiga do mundo. A Umbanda pode também se enquadrar como “Lei”, o que a regimentaria como prática religiosa em Templo.
          É meu dever informar também que aqui se exclui aquelas hipóteses imaginárias e infundadas que se vê por aí, afirmando que se utilizava o nome “Espírita”, com medo da repreensão da sociedade e da polícia, ou ainda que o nome “Umbanda” não era conhecido.
          Para reafirmar a veridicidade de minhas afirmações, ressalto que, quando o Sr. Zélio de Moraes, fora fundar a primeira Federação (Órgão regulamentador das Tendas), ele a intitulou de “Federação Espírita de Umbanda do Brasil”. Todavia, a Federação Kardecista embargou o nome alegando que não poderiam utilizar-se do nome Espírita. Findou-se que acabaram por mudar o nome para “União Espiritista de Umbanda do Brasil”, para que o Órgão pudesse funcionar, e que hoje está sob os cuidados da presidência do Sr. Pedro Miranda, atual Dirigente da “Tenda Espírita São Jorge”, a sexta Tenda fundada pelo Chefe Caboclo das Sete Encruzilhadas, situada no bairro de Vila Isabel, Rio de Janeiro.
          Seguindo as explicações dadas, entende-se, portanto:
          1. O porquê do Chefe Caboclo das Sete Encruzilhadas determinar o nome “Espírita” às suas Tendas;
          2. O porquê de tanto o Sr. Zélio de Moraes, e os seus se definirem como “Espíritas”;
          3. O porquê do Chefe Caboclo das Sete Encruzilhadas definir a Umbanda como prática e religião “Espírita”;
          4. O porquê a Umbanda, bem como vários outros credos serem “linhas”, isto é, segmentos do Espiritismo original dos primórdios.
    

          E como fora explicado inicialmente, algumas palavras carregam antagonismos inerentes que sê lhes caracterizam como tal. O termo “Branca” remete a sua concepção imaculada e pura, caracterizando a finalidade de elevação do ser humano a Deus e ao Cristo, nos trabalhos de caridade, assistidos pelos Guias Superiores da Umbanda, os Pretos e Caboclos.
          Para a Umbanda, decerto, não há “cor”, porém é

comandada pelas Sete Linhas Brancas do Espaço, a considerar: Oxalá, Euxoce, Ogum, Xangô, Iansã, Iemanjá e Almas. Ao utilizar a cor, estaria se referindo a um dos objetivos do trabalho da Umbanda na Terra, na qual seria a utilização da Magia Branca, por parte dos Pretos e Caboclos, para a anulação da Negra. São nomes apenas representativos, para ilustrarem o bem e o mal, pois que a escuridão nos remete ao medo, ao desconhecido, a insegurança, enquanto que a claridade traz a confiança, a luz que acendemos para dissipar as trevas que ameaçam a segurança da jornada rumo a Deus, a qual podemos considerar e confirmar que não há motivos para utilizar o nome “Branca” de forma preconceituosa, mas de forma correta e elucidativa. Bastemos estudar, interessar-nos pela verdade, velada pela ignorância ou mesmo pela vaidade. Por isso, mais uma vez, ressalto o enorme privilégio que temos de ouvir as palavras do sempre humilde fundador da religião, através dos áudios disponíveis via internet, nos apontando o caminho seguro para a prática da religião, de forma que possamos respeitar seus princípios.
          Toda a Umbanda trabalha sob a égide do Espiritismo da Linha Branca de Umbanda e Demanda, caso ocorresse o contrário, não seria Umbanda. E qualquer forma de ignorar os grandes trabalhadores do bem, os nossos Guias Superiores, Caboclos e Pretos, é admitir-se contrário às suas obras edificantes e principalmente contra as palavras do divino e bendito Chefe Caboclo das Sete Encruzilhadas: “a Umbanda é Humildade, Amor e Caridade.”

Salve a Umbanda!


Felipe Deininger; Lucas de Sousa

2014

terça-feira, 1 de abril de 2014

Aos Médiuns

"Por isso, irmãos, que vocês possam fazer a caridade, possam receber de Deus sua misericórdia e que todo médium tome fazer o bem, curar com suas mãos, com sua reza, andando numa linha reta, numa consciência pura e limpa, e não reverter a vil moeda, enfim, olhar para o seu semelhante como se fosse um verdadeiro irmão, com este amor de irmão para irmão."

Caboclo das Sete Encruzilhadas
(16 de novembro de 1972)

domingo, 1 de dezembro de 2013

Algumas considerações

       - Amanhã estarei na casa deste aparelho, simbolizando a humildade e a igualdade que deve existir entre todos os irmãos, encarnados e desencarnados. E se querem um nome, que seja este: sou o Caboclo das Sete Encruzilhadas.
       “Minha família ficou apavorada. No dia seguinte, verdadeira romaria formou-se na Rua Floriano Peixoto, onde eu morava, no número 30. Parentes, desconhecidos, os tios, que eram sacerdotes católicos e quase todos os membros da Federação Espírita, naturalmente em busca de uma comprovação. O Caboclo das Sete Encruzilhadas manifestou-se, dando-nos a primeira sessão de Umbanda na forma em que, daí para frente, realizaria os seus trabalhos. Como primeira prova de sua presença, através do passe, curou um paralítico, entregando a conclusão da cura ao Preto Velho, Pai Antonio, que nesse mesmo dia se apresentou. Estava criada a primeira Tenda de Umbanda, com o nome de Nossa Senhora da Piedade, porque assim como a imagem de Maria ampara em seus braços o Filho, seria o amparo de todos os que a ela recorressem. O Caboclo determinou que as sessões seriam diárias; das 20 às 22 horas e o atendimento gratuito, obedecendo ao lema: “daí de graça o que de graça recebestes”. O uniforme totalmente branco e sapato tênis.
      “Desse dia em diante, já ao amanhecer havia gente à porta, em busca de passes, cura e conselhos. Médiuns que não tinha a oportunidade de trabalhar espiritualmente por só receberem entidades que se apresentavam como Caboclos e Pretos Velhos, passaram a cooperar nos trabalhos. Outros, considerados portadores de doenças mentais desconhecidas revelaram-se médiuns excepcionais, de incorporação e de transporte.”
       Citando nomes e datas, com precisão extraordinária, Zélio de Moraes relata o que foram os primeiros anos de sua atividade mediúnica. Dez anos depois, o Caboclo das Sete Encruzilhadas anunciou a segunda fase de sua missão: a fundação de sete templos de Umbanda e, nas reuniões doutrinárias que realizava às quintas-feiras, foi destacando os médiuns que assumiriam a direção das novas tendas: a primeira, com o nome de Nossa Senhora da Conceição e, sucessivamente, Nossa Senhora da Guia, São Pedro, Santa Bárbara, São Jorge, Oxalá e São Jerônimo.
       – Na época – prossegue Zélio – imperava a feitiçaria; trabalhava-se muito para o mal, através de objetos materiais, aves e animais sacrificados, tudo a preços elevadíssimos. Para combater esses trabalhos de magia negativa, o Caboclo trouxe outra entidade, o Orixá Malet, que destruía esses malefícios e curava obsedados. Ainda hoje isso existe: há quem trabalhe para fazer ou desmanchar feitiçarias, só para ganhar dinheiro. Mas eu digo: não há ninguém que possa contar que eu cobrei um tostão pelas curas que se realizavam em nossa casa; milhares de obsedados, encaminhados inclusive pelos médicos dos sanatórios de doentes mentais... E quando apresentavam ao Caboclo a relação desses enfermos, ele indicava os que poderiam ser curados espiritualmente; os outros dependiam de tratamentos material...
       Perguntei então a Zélio, a sua opinião sobre o sacrifício de animais que alguns médiuns fazem na intenção dos Orixás.
       Zélio absteve-se de opinar, limitou-se a dizer:
       - Os meus guias nunca mandaram sacrificar animais, nem permitiriam que se cobrasse um centavo pelos trabalhos efetuados. No Espiritismo não pode pensar em ganhar dinheiro; deve-se pensar em Deus e no preparo da vida futura.
       O Caboclo das Sete Encruzilhadas não adotava atabaques nem palmas para marcar o ritmo dos cânticos e nem objetos de adorno, como capacetes, cocares, etc. Quanto ao número de guias a ser usado pelo médium, Zélio opina:
       - A guia deve ser feita de acordo com os protetores que se manifestam. Para o Preto-Velho deve-se usar a guia de Preto-Velho; para o Caboclo, a guia correspondente ao Caboclo. É o bastante. Não há necessidade de carregar cinco ou dez guias no pescoço...
       Considera o Exu um espírito trabalhador como os outros:
       - O trabalho com os Exus requer muito cuidado. É fácil ao mau médium dar manifestação como Exu e ser, na realidade, um espírito atrasado, como acontece, também, na incorporação de Criança. Considero o Exu um espírito que foi despertado das trevas e, progredindo na escala evolutiva, trabalha em benefício dos necessitados. O Caboclo das Sete Encruzilhadas ensinava o que Exu é, como na polícia, o soldado. O chefe de polícia não prende o malfeitor; o delegado também não prende. Quem prende é o soldado que executa as ordens dos chefes.
       E o Exu é um espírito que se prontifica a fazer o bem, porque cada passo que dá em benefício de alguém é mais uma luz que adquire. Atrair o espírito atrasado que estiver obsedando e afastá-lo, é um dos seus trabalhos. E é assim que vai evoluindo. Torna-se portanto, um auxiliar do Orixá.

Segue abaixo um vídeo disponibilizado pela Rádio Toques de Aruanda divulgando os trabalhos realizados pela Cabana de Pai Antônio, na qual hoje também é conhecida como a sede da Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade. É um belo documento para entendermos o que é a prática de Umbanda do Brasil. Clique AQUI